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Saída de emergência

     Está tudo girando. Começo a tossir. Sei que não é uma tosse. O ar me falta, sinto que meu coração bate forte contra minhas costelas. Minhas mãos ficam dormentes e um enjoo toma conta de mim.  Sinto que vou vomitar, mesmo não tendo o que vomitar. Diante desse turbilhão de sentidos, algo aqui dentro repete : Acalme-se menina. Estou dentro do ônibus no final de mais um dia. Ainda faltam alguns pontos até minha casa.
     Consigo me sentar. Devo me acalmar. Aos poucos o ar começa a voltar e não me sinto mais tão mal. Ainda enxergo alguns clarões e sinto que há alguma coisa me sufocando. Espero um tempo, respirando fundo e enxugando minhas mãos geladas e suadas na calça. Sinto a presença de alguém do meu lado. Droga, não quero que ninguém perceba o que está acontecendo e... Tarde demais. Ouço uma voz rouca e forte:
 - Você está precisando de ajuda?
E, querendo ao máximo que esse alguém desaparecesse, tento responder o mais firme possível:
- Nã.. Não. Obrigada. - Viro pro outro lado.
     Antes, não sentia nada. Porém, de uns tempos pra cá algo mudou. Tento entender o porquê de todo esse desespero momentâneo que cisma de me pegar desprevenida. Até hoje esse é um segredo que nunca contei a ninguém.


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