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Sangue

      Em uma pequena cidade do interior de São Paulo, ainda atrasada tecnologicamente e até mesmo socialmente, viviam diversas famílias de origem humilde e antiga. Nesta época, mesmo nas grandes cidades, não havia muita tecnologia disponível, mas o interior era ainda mais atrasado do que se imagina. Uma das famílias de origem humilde era a família Andrade, composta pelos pais, Maria e Carlos, e pelos filhos, Antônio e Murilo. Desde cedo, o filho mais novo, Murilo, tinha comportamentos estranhos, e por muitas vezes ria sozinho, como se tivesse lembrado de uma piada. O filho mais velho, por sua vez, sentia-se solitário, uma vez que seu irmão não era a companhia que queria, e Maria não deixava que os filhos fizessem amizades.
         A medida que ia crescendo, Murilo ia tomando atitudes cada vez mais estranhas. Ao completar 13 anos, presenciou o assassinato de seu irmão mais velho, que era a única pessoa pela qual sentia algum tipo de afeição – por mais que este nunca estivesse perto por medo. A partir daí, passa a surgir a certeza de que ele não era normal: ao invés de sentir-se mal pela morte do irmão e pela circunstância (o irmão fora torturado, e então morto com machado), sentiu-se fascinado pelo sangue, pela morte. A primeira vez que matou alguém foi em 1912, aos 15 anos. Utilizava sempre a mesma arma: um velho machado.
         O menino, não mais tão novo assim, forçou-se a viver normalmente, fingindo ser parte de uma sociedade, e convivendo com todos sem deixar suspeitas. Ninguém iria suspeitar dele em momento algum: ele era o homem mais simpático e prestativo daquela cidade. Foi crescendo, e, já com 18 anos e mais de 20 vítimas passadas, era o homem desejado da cidade devido a sua simpatia, e a sua beleza.


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Uma História Aleatória (:

Julieta não podia imaginar o que o dia aguardava pra ela, perder o celular em pleno metrô de uma cidade completamente desconhecia, sem dúvida não era o que ela esperava que acontecesse no seu primeiro dia de aula. Julie, como era chamada por seus antigos amigos não conseguia parar de pensar em tudo que perdera mudando-se de cidade, em São Paulo ela costumava ter amigos, um namorado e uma família estruturada, agora tudo que a restava dessa antiga da vida, era um celular, que ela sequer possuía mais.
Em São Paulo, não era comum que a mesma se locomove-se com o transporte público, sendo filha de um casal de classe média alta, seu modo de locomoção era basicamente o carro dos seus pais, mas com o divórcio tudo mudara, principalmente sua condição financeira, se antes ela podia gastar com o que quisesse, agora tudo era controlado, não havia mais dinheiro para gasolina ou um carro, o jeito era andar com o meio de transporte público, mesmo que isso a enojasse. 
E como em um presente para sua primeira vez seu celular se perdeu enquanto ela lutava para conseguir entrar em um vagão.Em pé de forma desconfortável a ruiva tentava pensar em algo agradável, algum tipo de lembrança que pudesse fazê-la recordar de como era sua vida no ano anterior, algo como uma das suas antigas bolsas Chanel vendidas para pagar o mais novo apartamento ou uma das suas velhas maquiagens caríssimas da Mac, enfim memórias felizes. Tudo constratava com seu presente, olhar para todas aquelas pessoas expremidas num espaço tão pequeno a deprimia, a última vez que estivera em uma situação como aquela fora no show de sua banda favorita e dessa vez não havia nenhum vocalista gato a ser admirado. Ninguém além do garoto que esbarrara nela. 
Julieta não era o tipo de garota que se impressionava com homens, seu último ex-namorado levara meses para conseguir convencê-la a sair com ele, contudo havia algo no mal educado que a impressionava, ele não era atraente como um modelo da Calvin Klein, seus olhos não eram azuis e seu corpo não era nada com o que ela normalmente sonharia, mas... O garoto a recordava a alguém, que ela não conseguia definir quem.
- Julieta, é você? Papai disse que você viria morar aqui,mas eu não acreditei...- Disse o mal-educado, com um estranho tom de intimidade.
- Desculpa, mas eu te conheço?
-  Sou Guilherme, seu irmão. Papai fala demais de você.
- Ah. - Na hora Julie comprendeu tudo, era ele o bastardinho que sua mãe tanto falava, o filho que meu pai tivera durante o casamento.
- Estava pra te ligar já, para nos conhecermos. Como está sendo morar no Rio?
- Um inferno.- Respondeu Julieta sem um pingo de educação, estar no metrô já era  ruim o suficiente, ter que aguentar o bastardinho já era demais.
-  O calor é sempre algo ruim pra quem não está acostumado.
- O problema não é só o calor, é tudo... Isso.
- Entendo você tinha uma vidinha bem da privilegiada em São Paulo, mas seja bem vinda ao meu mundo. Você, vai se acostumar e ver que não é tão ruim assim.
- Dificil vai ser me acostumar com o tempo pra chegar na escola, estou aqui há quase uma hora.
- Em que estação tem que descer?
- Afonso Pena.
- É lógico que você tá aqui há um século, você tá na linha errada...
- Como assim???Linha errada? Tem mais de uma linha nessa joça?!
- Você, deveria estar na linha 1.
- Ai Meu Deus!! Como eu faço agora?!- Julieta murmurou, quase chorando.
- Não precisa chorar , eu te ajudo. Vem comigo...- Guilherme falou enquanto puxava a jovem ruiva para fora do vagão. O irmão da adolescente a levou ao lugar certo deu um beijo em sua testa, e pela primeira vez Julieta não o desprezava, sem ele sabe se lá onde ela estaria.


AUTORA: Letícia Linhares

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